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ABRIL 2007 - Nº 170 ÍNDICE

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Previsões para a TV do futuro

Rodrigo Sabatini

Evento na Califórnia busca entender o que vai acontecer com o hábito de ver televisão.

Nos dias 13 e 14 de março aconteceu em São Francisco, Califórnia, o 1º The TV of Tomorrow Show, organizado por Tracy Swedlow, CEO e fundadora da ITVT, newsletter da industria da TV interativa e multiplataforma dos EUA. Estavam reunidos mais de 300 CEOs desta indústria, incluindo operadores, produtores, desenvolvedores de softwares, hardware, integradores e criadores de conteúdo.

O evento chama a atenção por ser um dos primeiros após o fenômeno YouTube ser adquirido por US$ 1,6 bilhão, e por estar no epicentro desta revolução, na terra do Google, exemplo maior da nova economia da web 2.0.

Os temas foram analisados sob a ótica estratégica. Discussões sobre padrões, plataformas que poderão predominar, o comportamento do telespectador, ou usuário, a TV na Internet, a Internet na TV, a Internet com a TV, a propaganda, a propaganda interativa, o celular com a TV, a TV no celular, a TV de alta definição, a TV para interagir, a TV para assistir, a TV para jogar, a TV para tudo.

Paralelo ao fórum, uma feira trazia alguns dos provedores de soluções para a interatividade na TV e uma exposição de arte com artistas locais demonstrando sua visão sobre a influencia da televisão em nossa vidas.

Desde o início do evento, a atmosfera criada é de dúvida, tantas são as possibilidades, as tecnologias. Todos a espera de um boom, cujo estopim pode ter sido o YouTube.

Um exemplo deste novo momento é Robert Chua, pioneiro na TV da Ásia, com mais de 40 anos de mercado (participou da fundação da primeira estação de TV em Hong Kong), que fundou e hoje preside o The Interactive Channel, da China, canal com quase um milhão de assinantes, com menos de dois anos de vida e programação 24 horas, que apresenta programas em que os participantes conectam-se de seus lares, transmitindo suas imagens e opiniões via webcam, para um talk show. Os telespectadores podem participar também através de celular, enviando mensagens ou imagens.

A inovação é um canal que depende da interatividade por outros meios, e não somente pelo controle remoto. Para Robert Chua, “o espectador não mais quer ser passivo, quer interagir o quanto puder.”

Esta também é a posição de Ian Valentine, CEO da Miniweb Interactive, da Inglaterra. “Como a Internet torna-se cada vez mais em uma TV, a TV inevitavelmente precisa caminhar no sentido da Internet”, diz. O aprendizado hoje é focado na interface. “Enquanto na Internet você tem uma tela de alta definição e um mouse e teclado a mão, o que chamamos de interface de um metro (three-foot), na TV você esta longe do aparelho, no seu sofá, com no máximo um controle remoto nas mãos, o que chamamos de interface de três metros (ten-foot). Você não pode simplesmente passar de uma interface para outra. Não vai funcionar”, conclui.

Valentine cita dados da Gartner, empresa de pesquisa na área tecnológica, que prevê um numero global de 48,8 milhões de assinantes de IPTV para 2010, contra os 6,4 milhões do ano de 2006, gerando uma receita ainda modesta de US$ 13,2 bilhões. Isto deve incrementar ainda mais a receita de propaganda da Internet, que desde 2004 só é menor que a TV.

Quando falamos de YouTube, pensamos em futuro de vídeos fragmentados, caseiros. A Azureus, uma empresa de compartilhamento de arquivos tipo torrent, lançou uma plataforma de download para vídeos de alta qualidade, com a qual a empresa espera ver o novo YouTube. “Câmeras de vídeos de alta resolução por menos de US$ 1 mil e a rápida adoção de TV com HDTV nas casas são fatores que garantem que o entretenimento de alta definição tem seu lugar”, diz Chris Maliwat, diretor de produto da empresa.

Seleção

Esta popularização da produção leva a outra grande preocupação na indústria: os direitos autorais. Com a popularização do conteúdo feito pelo usuário, crescem as diligências em torno dos direitos, guerra que o YouTube ainda enfrenta.

Steve Tranter, diretor de interatividade da fabricante de sistemas de acesso condicional NDS, diz que há diferenças no mercado de TV interativa americana em relação a outras regiões, devido ao número de plataformas de TV a cabo, o que dificulta a interatividade.

“O número de canais está crescendo rapidamente. Não me surpreenderia se em poucos anos tivermos mais de mil canais. Os assinantes esperam é por ferramentas que os ajudem a encontrar o conteúdo”, diz Tranter.

Com tantos canais, o consumidor precisa de ferramentas que o auxiliem a achar, gravar e ver conteúdo. Por isto o sucesso nos EUA dos PVRs (gravadores digitais), como o TiVo ou o XTV, da própria NDS. O processo já fragmentou o conteúdo, fazendo do consumidor o programador, com o controle de sua grade de exibição. Na ultima semana a Apple lançou seu novo aparelho, o AppleTV, que com o seu iTunes será como um PVR, e que alguns apontam como mais um grande sucesso da marca, sendo uma tendência na TV assim como o iPod foi para a musica.

Na Europa, o uso do “botão vermelho” (do controle remoto) facilita o acesso à interatividade, possibilitando a busca de informação, a votação ou a compra via TV.

O avanço está no design, envolvendo vídeo de alta definição, com efeitos avançados e libertando-se dos botões e caixas de diálogos. A questão não é tecnológica, mas sim de conceito, comportamento dos telespectadores e adequação do conteúdo.

O grande desafio ainda é a propaganda interativa, para a qual a participação do usuário é essencial, exigindo do criador um conteúdo envolvente. Em recente pesquisa, realizada pela Forrester Research, com 6 mil usuários de PVR (Personal Video Recorder) nos Estados Unidos, 53% disseram que querem escapar dos comerciais facilmente, ao passo que 47% querem gravar um conteúdo enquanto assistem a outro. Dale Herigstad, diretor de criação da Schematic, empresa especializada em design para o mundo digital, diz: “Eu quero enfatizar que o que estamos fazendo ainda é experimental. São porém necessários novos caminhos da propaganda, porque as pessoas estão fugindo dos comerciais. Nossos comerciais estão envolvidos em games ou estórias. Estamos pesquisando meios para criar espaços que chamamos de propaganda, mas são não invasivas, e podem e/ou devem adicionar valor ao produto (conteúdo)”.

Telinha

Assim como em grandes displays, a TV estará cada vez mais em nossos celulares, que não só serão utilizados para interagir, como também para assistir televisão via streaming. Sobre as dúvidas se este mercado ainda tem espaço para crescer, Phillip Alvelda, chairman e CEO da MobiTV, empresa especializada em convergência de televisão, filmes e musica pelo celular, lembra: “Em setembro de 2005 tínhamos 500 mil assinantes, e levamos dois anos para chegar a este numero. Seis meses depois já tínhamos mais de um milhão.” Mas o crescimento depende muito da tecnologia instalada e aparelhos disponíveis no mercado.

Com uma sopa tão grande de tecnologias e possibilidades, a convergência de mídias é na verdade o que envolve tudo. E neste cenário, o celular tem função importante na coleta de informações e principalmente na cobrança dos serviços interativos.

Toda esta transformação faz com que os paradigmas mudem, e o conceito TV está mudando também. Podemos e teremos o mesmo conteúdo em alta definição para ser assistidos em nosso sofá, com qualidade, informação e interatividade, com ou sem propaganda ou propaganda que se torna conteúdo. Veremos vídeos em nosso celular e em nosso computador ao mesmo tempo em que estaremos interagindo via mensagem, texto, voz, webcam.

O “cyberespaço” está na verdade sendo ocupado pelo conteúdo multimídia, gerados de múltiplas formas e providas por todos, empresas e usuários. E para todos haverá um equipamento adequado para acessá-la.

A grande revolução que está acontecendo não é tecnológica, mas sim de comportamento, promovido por uma nova geração, cujos hábitos ainda são indefinidos, tendo porém um ponto comum, a participação, a interatividade.